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domingo, 13 de abril de 2014

Eustáquio - quinze séculos de uma trajetória

Abel Glaser - pelo espírito Cairbar Schutel


Qual seria o gosto da chegada não fosse o amargo da trajetória?


Capa


Eustáquio, personagem principal da obra de Abel Glaser e Caibar Schutel, passa seus iniciais momentos vivendo o patrício general do exército Franco1, aliados aos Visigodos2, combatendo terrivelmente, e vencendo, o exército inimigo, os Burgúndios3.

Entendendo seu poder supremo, de exército vencedor, e confiante em demasia, o general aproxima-se de um jovem soldado – e prisioneiro – inimigo, já derrotado, portando em riste sua brilhante lâmina afiada e montado em seu cavalo alvo, cheio de medalhas ganhas por seu cavaleiro em antigas batalhas. Pretende fazê-lo implorar por sua vida, humilhando-o e subjugando-o até o final. O prisioneiro, no entanto, permanece cabisbaixo e não se move. Inconformado, o general vocifera que levante para morrer como um verdadeiro guerreiro. Nem mesmo termina sua imponente frase, o soldado inimigo, concentrando todas as forças que lhe restam, saca um punhal estrategicamente escondido em sua bota e o atira contra o general. Inertes e acolhidos, os soldados francos vêem o rodopio da adaga no ar e assistem a sua trajetória até atingir o coração do cavaleiro garboso, neste momento já livre da armadura.

Tombando do cavalo, desencarna pela primeira vez, Eustáquio, agora não mais general. A partir daí, Eustáquio vive várias outras encarnações, pagando por erros cometidos e aprendendo e evoluindo à sua velocidade própria.

Numa de suas reencarnações Eustáquio, agora Jean Paul, é soldado encarregado de cuidar da segurança pessoal da bela guerreira e destemida Joana D´Arc (cap. XXXIX), a Virgem de Domremy, no fim da Guerra dos Cem Anos4.
Teve também passagem na vida de um dos mais marcantes personagens históricos, Napoleão Bonaparte. Eustáquio, neste momento sendo Eduardo, filho de Fernando, tem em sua educação a orientação de acompanhar a qualquer custo as façanhas de Bonaparte. Todavia, termina rejeitando tudo isso e, cético com teorias e praticas que não trazem liberdade e solidariedade, torna-se um democrata e um liberal, o que lhe garante grande evolução espiritual.


Além destas, outra passagem rápida de Eustáquio foi a reencarnação como Pajé Arari-Tutóia (cap. XIX), no Brasil que, no ano de 900, ainda não possuía este nome e era apenas um continente selvagem, habitado por índios.






1) Francos são os integrantes das tribos da Germânia, que conquistaram a Gália no século V; habitavam primitivamente entre o Meno, o mar do Norte, o Ester e a Elba. As principais foram as dos Brúcteos, dos Queruscos, dos Sicambros e dos Sálios.
2) Visigosos é o nome dado aos Godos ocidentais. Entraram na Península Hispânica no ano de 415. No reinado do Eurico I, possuíram a Península e grande parte da Gália, entre o Ródano e o Líger (Loire). Em 507, começou a decadência do império visigótico. Por poucos anos possuíram o território, depois chamado Portugal. A invasão árabe terminou rapidamente o domínio visigodo na Península, com exceção das montanhas setentrionais.
3) Os Burgúndios são um povo germânico, estabelecido no século IV na margens do rio Reno, batidos pelos hunos em 437. Aliado dos Romanos e instalado na bacia de Ródano foi submetido pelos Francos em 534. Os Burgúndios deram o nome à Borgonha.
4) Guerra dos Cem Anos: 1337 a 1453.




Por que ler este livro?



Este livro nos chama a atenção devido ao número de reencarnações expostas, com detalhes, do ser Eustáquio. Além disto, é perceptível a evolução dele, deixando bem claro que toda ação tem sua reação. Sendo-nos isto permitido pelo Grandioso Eterno, podemos consertar nossos erros no decorrer das reencarnações. Bastando entender que não estamos aqui só de passagem.



Por fim, nos chamou a atenção também a última frase do livro, sendo a reencarnação de deixa de Eustáquio deste planeta. Neste momento Eustáquio vive José Antônio, nascido no Brasil em 1890, na cidade que viria a ser conhecida como “maravilhosa”, e que ainda jovem parte à Europa a fim de estudar medicina. Torna Josef, nome adaptado ao local e, dentre outra viagens, vai à Alemanha e tem seus dias terminados na França, trabalhando pela Cruz Vermelha. O autor nos impressiona com uma última frase maravilhosa e é com ela que terminamos, com a licença dele, nosso post:
“Um torpor suave envolve-lhe o corpo físico e liberta a sua percepção. Uma melodiosa e terna voz ecoa em seu espírito, sugerindo-lhe o momento da partida. Sereno, Josef adormece, sentindo o estacionar de seu cansado coração. Um último pensamento lhe percorre a mente, fazendo-o relembrar da voz meiga de Maria, dizendo-lhe, agora e para todo o sempre... ‘Eustáquio, venha conosco, o renascer do mundo depende de cada um de nós!’.”